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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Romantismo no Brasil - Prosa

Pessoal, adianto aqui (e no post anterior) a próxima aula: A Prosa Romântica no Brasil.

Abaixo um arquivo que encontrei na Internet, contendo mais informações sobre os autores e exercícios ao final (é necessário ter flash instalado).

Literatura - Aula 12 - Romantismo no Brasil - Prosa


Se houver algum problema com o carregamento do arquivo, CLIQUE AQUI para vê-lo no link original.

Até mais!

Romantismo no Brasil - Prosa

A Prosa Romântica no Brasil inicia-se com A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo em 1844, apesar de não ter sido o primeiro em publicação, mas sim em importância. O primeiro romance brasileiro foi O Filho do Pescador de Teixeira de Sousa (1843), mas ele não possui as linhas gerais dos romances românticos.

O marco final desta época é considerado a publicação de O Mulato (Aluísio Azevedo) e de Memórias Póstumas de Brás Cubas (M. de Assis) em 1881, iniciando-se então o Realismo no Brasil.

CARACTERÍSTICAS DO ROMANCE ROMÂNTICO

a) Detalhes de costumes e de cor local, ou seja, certa fidelidade na descrição de lugares, cenas, fatos, usos e costumes da época em que a história é narrada.

b) Comunhão entre a natureza e os sentimentos das personagens.

c) Triunfo do bem sobre o mal. Nas histórias românticas, os vilões são castigados, ora com a morte, ora com a prisão, com intenção moralizante.

d) Linearidade das personagens, isto é, sem profundidade psicológica, sobressaindo-se a preocupação com os caracteres exteriores: estatura, cor dos olhos, cor dos cabelos, roupas, etc.


MODALIDADES

ROMANCE URBANO
Também chamado de citadino ou de costumes. O autor explora situações, conflitos e convenções sociais típicos da cidade. O Rio de janeiro, por ser o centro cultural do Brasil na época, é a cidade mais retratada nos romances românticos. Os três autores que merecem destaque nessa modalidade de romance são: Joaquim M. de Macedo, José de Alencar e Manuel A. de Almeida.

ROMANCE INDIANISTA
Narrativa preocupada com usos, costumes, tradições do índio brasileiro, com o intuito de transformá-lo em herói. Os romances visam à criação de heróis nacionais, míticos, lendários, tomados como símbolos de elementos formado-res da nacionalidade. Só um romancista explorou esta modalidade: José de Alencar.

ROMANCE REGIONALISTA
Também chamado de sertanejo ou rural. Começou em 1869, com o romance O Ermitão de Muquém, de Bernardo Guimarães. Explora as paisagens e os costumes das ilhas culturais brasileiras: o Nordeste, o Pampa Gaúcho, o Pantanal Mato-grossense, o Sertão de Minas e de Goiás. Nesta modalidade de romance, merecem destaque: Bernardo Guimarães, José de Alencar, Visconde de Taunay e Franklin Távora.

ROMANCE HISTÓRICO
O assunto é fornecido pelo passado histórico, de preferência remoto ou lendário, de modo a permitir a idealização. O compromisso do romancista com a História limita-se à reconstituição do clima da época, à fidelidade aos hábitos e aos costumes. No Brasil, só José de Alencar explorou esta temática.


AUTORES

JOAQUIM MANUEL DE MACEDO

Atravessou todo o movimento romântico e nota-se em sua obra um progresso na técnica literária. Era o autor mais lido no Brasil até o final da década de 40 com O Guarani de Alencar.

São temáticas comuns ás suas obras: namoro difícil ou impossível, presença de jovens casadoiras e estudantes, mistérios de identidade de personagens e identificação final, conflito entre dever e paixão, alguma comicidade, espécie de documento de costumes da época. A linguagem é simples com tramas fáceis, amor e mistério culminando com um final feliz.

Obras:

Romance - A Moreninha (1844), O Moço Loiro (1845), Os Dois Amores (1848), Rosa (1849), Vicentina (1853), O Forasteiro (1856), O Culto do Dever (1865), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas Algozes (1869), O Rio do Quarto (1869), As Mulheres de mantilha 91870), A Namoradeira (1870).
Várias peças de teatro, a poesia A Nebulosa (1857) e outros escritos


MANUEL ANTONIO DE ALMEIDA

Publica em folhetins Memórias de um Sargento de Milícias, obra totalmente inovadora para a sua época. Pode ser considerado o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, por não estar vinculado à visão burguesa. Retrata o povo em toda a sua simplicidade, malícia, humor e sátira. Sua descrição não se resume ao ambiente, mas introduz juízos de valor e crítica. Apresenta um anti-herói picaresco, que desde sua origem já está ligado ao real e ao humor. É considerado por muitos como um precursor do Realismo. Caracterizam a obra o estilo frouxo, linguagem por vezes até descuidada e um final feliz.

Obras:

Romance - Memórias de um sargento de Milícias (1852-53)


JOSÉ DE ALENCAR

Consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, político conservador, monarquista, escravocrata, burguês. Pode-se perceber o medievalismo no personagem de O Guarani, Peri (bom selvagem) que deveria respeitar a realidade social de que ao senhor de tudo deve-se obediência, respeito e lealdade.

Defende o “casamento” entre o nativo e o colonizador numa troca de favores (temática presente em O Guarani - Ceci e família e Peri e em Iracema com Moacir, filho de Iracema e Martim. Tudo isso traduzido numa linguagem coloquial, diálogos bem feitos por sua formação de professor de Português.

Sua vasta obra conta com romances urbanos, históricos, regionais e rurais, além dos indianistas. Iracema é uma obra que denota as grandes características de Alencar: paisagista e pintor de perfis femininos.

Obras:

Romances - Cinco Minutos (1856), O Guarani (1857), Viuvinha (1860), Lucíola (1862), As Minas de Prata (1862), Diva (1864), Iracema (1865), O Gaúcho (1870), A Pata da Gazela (1870), O Tronco do Ipê (1871), Sonhos D’Ouro (1872), Til (1872), Alfarrábios (1873), A Guerra dos Mascates (1873), Ubirajara (1874), Senhora (1875), O Sertanejo (1875), Encarnação (1893).
Algumas peças de teatro, crônicas e autobiografia, crítica e a poesia inacabada O Filho de Tupã


VISCONDE DE TAUNAY

Autor de Inocência, romance regionalista de tom sóbrio e detalhista quanto á paisagem. Obra de pouca fantasia, mas com as relações entre paisagem e o meio bem definidas. Alguns aproximam este romance de um estilo mais realista-naturalista.

Obras:

Romance - A Mocidade de Trajano (1872), Lágrimas do Coração (1873)
Narrativas - Histórias Brasileiras (1874)
Comédia - De mão à Boca se Perde a Sopa (1874)
Drama - Narrativas Militares. Cenas e Tipos (1878), Quadros da natureza (1882), Fantasias (1882), Amélia Smith (1886)


FRANKLIN TÁVORA

Produz uma obra regionalista num tom de manifesto, mas sem muita repercussão da temática nordestina em O Cabeleira. Temática voltada para o banditismo como efeito da miséria, latifúndio, secas e migrações.

Obras:

Contos - A Trindade maldita (1861)
Romance - Os Índios do Jaguaribe (1862), A Casa de Palha (1866), O Cabeleira (1876), O Mulato (1878), Lourenço (1881)
Novela - Um Casamento no Arrebalde (1869)


MARTINS PENA

Ligado ao teatro, inaugura a comédia de costumes com uma sutil sátira social. Por isso sua obra foi aproximada de Memórias de um Sargento de Milícias. Autor com profundo grau de observação, trazendo à cena personagens típicos da sociedade da época.








Fonte:

· Grupo iPED
· Grau 10

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Humanismo

Foi uma época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.

Como o próprio nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado.

Foi nessa época que surgiu uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem servos e nem comerciantes.

Com o aparecimento desta nova classe social foram aparecendo as cidades e muitos homens que moravam no campo se mudaram para morar nestas cidades, como conseqüência o regime feudal de servidão desapareceu.

Foram criadas novas leis e o poder parou nas mãos daqueles que, apesar de não serem nobres, eram ricos.

O “status” econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que o título de nobreza.

As Grandes Navegações trouxeram ao homem confiança de sua capacidade e vontade de conhecer e descobrir várias coisas. A religião começou a decair (mas não desapareceu) e o teocentrismo deu lugar ao antropocentrismo, ou seja, o homem passou a ser o centro de tudo e não mais Deus.

Os artistas começaram a dar mais valor às emoções humanas. São também frutos dessa época os humanistas, homens cultos e admiradores da cultura antiga. Eram individualistas, davam maior importância aos direitos de cada indivíduo do que à sociedade. Acreditavam no progresso, rejeitando a hierarquia feudal.

Através do contexto histórico, podemos perceber que o homem da época rompe com o sistema feudal e com a visão teocêntrica do mundo determinada pela igreja e vai em busca de si mesmo, de novas descobertas e novos valores. O momento é de transição.

A data que marca o início do Humanismo em Portugal é o ano de 1418, quando D.Duarte nomeia Fernão Lopes como guardador da Torre do Tombo, e termina quando Sá de Miranda retorna da Itália, em 1527, empreendendo em Portugal a campanha em prol da cultura clássica.

HUMANISMO = TEOCENTRISMO X ANTROPOCENTRISMO

Algumas manifestações

Poesia

Em 1516 foi publicada a obra “Cancioneiro Geral”, uma coletânea de poemas de época.
O cancioneiro geral resume 2865 autores que tratam de diversos assuntos em poemas amorosos, satíricos, religiosos entre outros.

Prosa

Crônicas: registravam a vida dos personagens e acontecimentos históricos.
Fernão Lopes foi o mais importante cronista(historiador) da época, tendo sido considerado o “Pai da História de Portugal”. Foi também o 1º cronista que atribuiu ao povo um papel importante nas mudanças da história, essa importância era, anteriormente atribuída somente à nobreza.

Obras

“Crônica d’El-Rei D. Pedro”
“Crônica d’El-Rei D. Fernando”
“Crônica d’El-Rei D. João I”

Teatro

O teatro foi a manifestação literária onde ficavam mais claras as características desse período.

Gil Vicente foi o nome que mais se destacou, ele escreveu mais de 40 peças. Sua obra pode ser dividida em 2 blocos:

Autos: peças teatrais cujo assunto principal é a religião.
“Auto da alma” e “Trilogia das barcas” são alguns exemplos.

Farsas: peças cômicas curtas. Enredo baseado no cotidiano.
“Farsa de Inês Pereira”, “Farsa do velho da horta”, “Quem tem farelos?” são alguns exemplos.

Gil Vicente critica, em sua obra, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, desde o papa, o rei o alto clero, até a mais baixa classe social: os feiticeiros, as alcoviteiras e os agiotas.
Acreditando na função moralizadora do teatro, colocou em cena fatos e situações que revelavam a degradação dos costumes, a imoralidade dos frades, a corrupção no seio da família, a imperícia dos médicos, as práticas de feitiçaria, o abandono do campo para se entregar às aventuras do mar.

Sua crítica tem um objetivo: reaproximar o homem de Deus. Nesse sentido, Gil Vicente se revela um homem de espírito e formação medieval, expressando uma concepção teocêntrica, numa época de profundas transformações sociais e culturais. Gil Vicente escreveu mais de quarenta peças. Dentre elas, destacamos:

- Monólogo do vaqueiro
- Auto da alma
- Trilogia das barcas (do Inferno, do Purgatório, da Glória).
- Farsa de Inês Pereira.
- Quem tem farelos?
- O velho da horta.
- Auto da índia

Abaixo, um vídeo retirado do site LivroClip, com elicitando somente o assunto tratado na obra O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.




Fonte:
· Brasil Escola
· Info Escola