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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O Noivado do Sepulcro, de Soares de Passos

Como havia prometido postar o texto do Soares de Passos nessa semana, aqui está!
Até porque estou muito "byroniana" neste final de semana, e um poema fúnebre cai bem! rssss

Deixo também aqui um vídeo que encontrei no YouTube.

É uma leitura do poema feito para um trabalho de escola, então os alunos combinaram poema e música. O resultado ficou bom!

E bem diferente da minha leitura. Queria ter sotaque português, confesso! rss

Então agora deixo com vocês o texto e o vídeo.

E só pra relembrar, amanhã, 18/10/08, estarei no cursinho a partir das 14h00, no plantão. Quem tiver dúvidas é só chegar! ;)

Ok?

Bom final de semana!
Nos vemos na próxima aula!

*****



O Noivado do Sepulcro
Soares de Passos

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

"Mulher formosa, que adorei na vida,
"E que na tumba não cessei d'amar,
"Por que atraiçoas, desleal, mentida,
"O amor eterno que te ouvi jurar?

"Amor! engano que na campa finda,
"Que a morte despe da ilusão falaz:
"Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
"Do pobre morto que na terra jaz?

"Abandonado neste chão repousa
"Há já três dias, e não vens aqui...
"Ai, quão pesada me tem sido a lousa
"Sobre este peito que bateu por ti!

"Ai, quão pesada me tem sido!" e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.

"Talvez que rindo dos protestos nossos,
"Gozes com outro d'infernal prazer;
"E o olvido cobrirá meus ossos
"Na fria terra sem vingança ter!

– "Oh nunca, nunca!" de saudade infinda
Responde um eco suspirando além...
– "Oh nunca, nunca!" repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.

"Não, não perdeste meu amor jurado:
"Vês este peito? reina a morte aqui...
"É já sem forças, ai de mim, gelado,
"Mas inda pulsa com amor por ti.

"Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
"Da sepultura, sucumbindo à dor:
"Deixei a vida... que importava o mundo,
"O mundo em trevas sem a luz do amor?

"Saudosa ao longe vês no céu a lua?
– "Oh vejo sim... recordação fatal!
– "Foi à luz dela que jurei ser tua
"Durante a vida, e na mansão final.

"Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
"Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
"Quero o repouso de teu frio leito,
"Quero-te unido para sempre a mim!"

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrada, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Romance da Caveira

Na última aula falamos sobre as três fases do Romantismo ocorridas em Portugal e ressaltamos os poemas um tanto quanto mórbidos, com cenas de morte e noite, como "O Noivado do Sepulcro" de Soares Passos.

Sabemos que a exaltação de temas noturnos, morte, melancolia, pessimismo é característica forte da segunda fase do Romantismo em Portugal. No Brasil também houve manifestação equivalente, mas veremos com mais detalhes na próxiuma semana.

Em determinado momento lembramos que há uma música brasileira que fala sobre o amor entre duas caveiras. Acredito que a maioria já ouviu.

Ok! Hoje deixarei aqui no blog a letra dessa música, "Romance da Caveira", interpretada por Alvarenga e Ranchinho, e um vídeo que encontrei no YouTube, feito com cenas do filme "A Noiva Cadáver", de Tim Burton.

Aliás, esse filme conta a lenda de um romance que não poderia acontecer pela rivalidade das famílias, pois a moça era de família rica. Como era apaixonada pelo noivo, combinam de se encontrar à meia noite em frente ao cemitério para fugirem e casarem-se. Então, a moça pega algumas jóias da família, algum dinheiro, e fica a espera do noivo em frente ao cemitério. Quando o noivo chega, a mata porque não a ama; queria sua fortuna. Desde então a noiva aparece à meia noite em frente ao cemitério, esperando que o amor perfeito enfim chegue e case-se com ela. Mas o resto da história vocês saberão quando assistirem ao filme.

E na semana que vem, termino a leitura de "O Noivado do Sepulcro" e em seguida coloco o texto aqui pra vocês!

Por enquanto, fiquem com a música que citei:

Romance da Caveira
Alvarenga e Ranchinho

Eram duas caveiras que se amavam
E à meia noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam
Sentados os dois em riba da louza fria
A caveira apaixonada assim dizia
Que pelo caveiro de amor morria
E ele de amores por ela vivia
Ao longe uma coruja cantava alegre
De ver os dois caveiros assim feliz
E quando se beijavam então funébre
A coruja batendo asas pedia bis

Mas um dia chegou de pé junto
Um cadáver novo de um defunto
E a caveira por ele se apaixonou
E o caveiro antigo abandonou
O caveiro tomou uma bebedeira
E matou-se de modo romanesco
Por causa desta ingrata caveira
Que trocou ele por um defunto fresco



Até a próxima aula! ;)